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A onda dos “Green Buildings” ganha forças no Brasil.

Um indivíduo, ao manifestar seu interesse em fazer parte de uma nova associação para equiparação de direitos de propriedades, foi questionado pelo funcionário: “Fazendo parte desta associação você também terá que repartir tudo o que tem” – explicou o funcionário. “Se você tiver duas casas, terá que dar uma a associação”.

O candidato prontamente concordou.

“Se você tiver dois carros, terá que dar um para a associação”.

Nova concordância com grande veemência.

“E se tiver duas galinhas também terá que dar uma para a associação”.

Fez-se silêncio. O funcionário muito surpreso perguntou: “Qual o problema? O senhor estava tão disposto a repartir tudo. O que aconteceu?

O candidato, olhando entristecido, respondeu: “É que duas galinhas eu tenho!”

Às vezes é fácil cobrarmos posturas corretas de outras pessoas ou entidades. É o caso, por exemplo, das questões ambientais na construção civil. Com uma legislação desatualizada das tendências modernas observadas em todo o mundo, a construção civil no Brasil seguia com sua tradicional maneira de planejar, construir e ocupar. Pouco se falava em investimentos para melhoria ou preservação do meio ambiente (excetuando-se os casos de estudos de impacto ambiental). Mas isso já está mudando. Vem crescendo aqui também a preocupação com os novos edifícios comerciais. São os chamados “Green Buildings”, ou edifícios ecologicamente corretos, conceituados como “edificações nas quais foram aplicadas medidas construtivas e procedimentais que buscam o aumento de sua eficiência no uso de recursos, com foco na redução dos impactos sócio-ambientais”.

E não são ambientalistas radicais que estão promovendo essas mudanças. Primeiramente em vários países da Europa e mais tarde nos EUA, empresários e investidores, conscientes das conseqüências globais de anos de irresponsabilidade, estão investindo nessa nova tendência. Já são centenas os edifícios construídos pelos parâmetros dos prédios verdes nos últimos anos nesses países. Um dos grandes ícones atuais desta frente é a futura sede do Bank of America, edifício que ficará pronto agora em 2008, terá 366 metros de altura e será o segundo mais alto de Manhattan, atrás apenas do Empire State Building.

Mas não é só visando a melhoria do meio ambiente que os investimentos vem crescendo no segmento. Em entrevista, dada à Exame, o diretor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Roberto de Souza, disse que o custo médio de uma “obra verde” vem caindo gradativamente, hoje ficando por volta de 2% acima de uma edificação convencional. Essa diferença, por outro lado, acaba retornando em cerca de 2 anos com as economias geradas.

Essas economias, por sua vez, vêm pelos mais estranhos caminhos: diminuição geral do consumo de água, já que parte desta vem das chuvas que são armazenadas; economia no consumo de energia elétrica, já que algumas construções contam com geradores solares ou eólios; aumento da produtividade e diminuição da taxa de absenteísmo, dada a melhoria do ambiente de trabalho mais iluminado com luz natural, devido ao grande uso de fachadas envidraçadas; ou ainda, segundo especialistas do segmento, o valor agregado que acaba por valorizar ainda mais este tipo de edificação.

Hoje no Brasil já podemos contar com duas instituições: a recém fundada Green Building Council Brasil, braço da americana de mesmo nome, e o CTE, já citado anteriormente. Ambas adotam a certificação LEED (sigla inglesa que significa Liderança em Projetos de Meio Ambiente e Energia), aceita internacionalmente. Leia mais sobre a LEED.

No Brasil, alguns edifícios já receberam, ou estão em vias de receber, essa certificação: Eldorado Business Tower, Rochaverá Corporate Towers, ambos em São Paulo, o Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro e um projeto piloto do Banco ABN Amro Real, que já tem uma agência funcionando em Cotia, na grande São Paulo.

Com a crescente preocupação mundial com as questões ambientais essa onda de Prédios Verdes no Brasil fará crescer a preocupação de todos os envolvidos no setor, desde os projetistas até os construtores, já que a certificação envolve todas as áreas da construção propriamente dita.

O planeta agradece.

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