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Crise global pode atingir o Brasil, mas isso ainda vai demorar

Os principais jornais do Brasil e do mundo têm como matéria principal do caderno de economia os problemas relacionados à desaceleração da economia americana e suas conseqüências para as economias globais, principalmente na Europa. “A crise financeira atual pode ser considerada a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou o ex-presidente do Banco Central americano (Fed) em editorial publicado nesta segunda-feira, 17/03, no "Financial Times", segundo o France Presse.

Sobre o Brasil, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que países como Índia, China e Brasil, atualmente “longe” dessas turbulências, poderão ser afetados, mesmo que mais tarde.

O Palácio do Planalto afirma estar de olhos atentos aos acontecimentos, mas acredita que levará de 6 a 8 meses para saber como tudo afetará efetivamente a economia brasileira. Por enquanto o comércio exterior do Brasil não foi afetado, comentou um auxiliar da presidência em entrevista à Agência Estado de Notícias.

Apesar dos problemas externos, os números brasileiros são muito positivos, lembrou o Ministro da Fazendo, Guido Mantega. O Brasil teve um crescimento de 5,4% em 2007, e o governo tem tomado medidas para amenizar os impactos internos, como o fim do IOF (imposto sobre operações financeiras), de 0,38%, sobre as exportações. Outro fator apontado como positivo foi a votação do Orçamento de 2008, que deixa mais claro o caminho que a política e economia do Brasil vão trilhar durante esse ano.

Quanto ao mercado imobiliário, parece que pelo menos em um curto prazo não há motivos de preocupação. Com a crise atingindo países “estáveis” para investimentos, como EUA e países da Europa, as opções se voltam para os emergentes, que ainda tem potencial de crescimento.

É o que comprova o IED (Investimento Estrangeiro Direto) no Brasil em 2007. Foi um índice histórico: os valores totais representam duas vezes mais os valores investidos na Rússia e China, no mesmo período. As reservas brasileiras saltaram 110,77%, o equivalente a US$ 94,7 bilhões. Todo esse sucesso se deve também ao Banco Central Brasileiro que vem adotando medidas que favorecem esse crescimento e protegem o mercado interno, tornando-o atraente aos investidores estrangeiros que procuram “fugir” da crise mundial.

Uma matéria publicada essa semana pela BBC Brasil, e que sinaliza nessa direção, traz declarações de bancos de investimentos estrangeiros, como WestLB, ABN-Amro e BNP-Paribas, que apontam o Brasil como um bom lugar para continuar investindo. Para eles, apesar da quedas das bolsas, o Brasil ainda seria uma das melhores opções dentro a América Latina.

Outra avaliação de peso feita sobre o Brasil foi o artigo publicado hoje pelo jornal espanhol “El País”, assinado por Alfredo Arahuetes, tido como um dos maiores especialistas da Espanha em investimentos na América Latina, e professor de Economia Internacional da Universidade Pontifícia Comillas de Madri.  Ele destaca que o Brasil se posicionou como 10ª economia global, e a maior economia da América Latina, com um PIB que representa pelo menos um terço do PIB da região. Olhando para os principais mercados imobiliários corporativos no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, e atentando para a velocidade de crescimento, aumento das demandas dos últimos dois anos, com queda contínua das taxas de vacância, podemos esperar que se essa crise atingir o Brasil, não será agora, ainda vai demorar.

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